sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um olhar no horizonte


Enzo, amore mio,


Quero agradecer-te pela poesia que me enviastes esta manhã. É linda como tudo aquilo que escreves.
Sou feliz contigo.
Tenho tanta vontade de abraçar-te agora.

Hoje eu pensei em ti sobre o teu terraço a olhar o Sul, em direção do Brasil. Tive a sensação de que estava ali contigo. Era tão real a sensação, uma coisa incrível. Tu estavas de costas olhando o horizonte quando cheguei silenciosamente por trás de ti e cobri os teus olhos com as mãos.

Sorrindo, tu disseste:

­­_ “És tu minha doce Clara? Tu vieste para mim?”

Por um momento eu senti o teu perfume, apenas por um momento. Senti a maciez do tecido da tua camisa e o calor da tua pele. Meus seios colados a ti proporcionaram-me um prazer imenso. Já não sei separar o amor real do amor de sonho.

É tarde, tu deves repousar, mas é tão difícil deixar-te.Vou continuar, como sempre, pensando nesse nosso estranho amor, suave como uma rosa e verdadeiro como o amor físico, que me excita.

Não estou com vontade de deixar-te.
Quero sentir ainda o sabor da tua boca.
Quero ouvir de novo o quanto pensas em mim.
Gosto de beijar-te enquanto trabalhas no teu livro.
Gosto de acariciar-te  e receber tuas carícias, meu príncipe das Astúrias.

Tu és o poeta do meu coração.

Agora vou ficar olhando o teu retrato na contracapa do teu livro, nele tu me olhas, às vezes rindo, outras sério, como é o teu jeito de ser.  

Buona notte, amore!

Tua Clara innamorata


Trecho do romance "Um amor Siciliano".
O amor de Enzo e Clara é intensamente vivido por ambos. Os dois corações românticos ignoram a distância. Suas cartas refletem o dia-a-dia desse amor diferente. Eu diria até fora do tempo.

Hull de La Fuente

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